As Alegrias de Maria

Avaliação:
93% of 100
Preço Promocional R$9,00 was R$18,00
Em estoque
SKU
8145

Autor: Maria Emmir O. Nogueira

Editora: Edições Shalom

Dimensões: 14 x 19 cm

Páginas: 96

Ano: 2017

Acabamento: lombada 

Disponível também na versão digital. Adquira o e-book no site da Amazon, link a baixo. 

“Como ser alegre sempre? Isso é possível?” Esse é o questionamento inicial do livro “As Alegrias de Maria”, de Maria Emmir O. Nogueira que será lançado pelas Edições Shalom no ano em que toda a Igreja Nacional dedica à Maria.  

O livro traz 12 alegrias vividas por Nossa Senhora e cada uma delas mostra o quão importante é seguir a vontade de Deus, e como podemos ser felizes sempre, alegres no Senhor.

Mais Informações
Trecho do livro

INTRODUÇÃO

É possível ser alegre sempre?

A Palavra de Deus nos fala várias vezes sobre a alegria. “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: Alegrai-vos!”, orienta e insiste São Paulo[1]. Ora, o apóstolo não nos mandaria alegrar-nos sempre se isso não fosse possível. Parece até que ele insiste – “Repito: Alegrai-vos” – para que tenhamos certeza de que, sim, é possível, viver sempre alegres.

Será que o apóstolo Paulo ignorava as vicissitudes pelas quais passam todos os homens? As preocupações, as mortes, as perdas, as enfermidades, as dificuldades financeiras, as dificuldades nos relacionamentos?

Com certeza, não. Ele, mais do que muitos de nós, enfrentou todos os tipos de problemas: passou por dois naufrágios, foi picado por uma serpente, foi açoitado e apedrejado, foi humilhado, foi preso e teve alguns desafios de relacionamento com seus colaboradores. Trabalhou duro como fabricante de tendas e, como mudou-se muito frequentemente, precisou recomeçar seu trabalho e conquistar nova freguesia em cada nova cidade.

Paulo sabia que não era fácil estar sempre alegre. Porém, sabia também, algumas coisas importantes acerca da alegria cristã. Primeiramente, sabia que a alegria é um fruto da presença do Espírito em nós[2], ou seja, é uma graça de Deus, e para obtê-la basta crer que Deus nos quer dar Seu Espírito e, com ele, a alegria.

Em segundo lugar, Paulo deixa muito claro que devemos nos alegrar “no Senhor”, isso é, nos alegrar porque cremos em Deus e Nele esperamos, ainda que ao nosso redor tudo pareça “estar errado”.

Uma outra razão para estarmos sempre alegres nos é apresentada por Santo Afonso de Ligório: “Deus não permitiria o mal se não pudesse tirar desse mal um bem infinitamente maior.” A certeza de que a dor ou dificuldade que estamos passando não vêm de Deus, somada a inúmeras passagens das Escrituras e da vida dos santos nos leva a ficar tranquilos e alegres em meio às provações, pois delas, misteriosa e amorosamente, Deus tirará sempre um bem maior em vista da nossa salvação.

Quem ama a Deus e se abre à ação do Seu Espírito através dos sacramentos, da oração, da caridade, está sempre alegre. Basta olhar os santos e beatos mais próximos a nós no tempo: São João Paulo II, Santa Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Beata Chiara Luce, para citar somente alguns.

Tem razão Santa Teresinha quando diz que “um santo triste é um triste santo”. Na verdade, santidade e alegria se supõem. Alegria, não “alegrias”.

Se um amigo de Deus, um santo, está sempre alegre, qual não será a alegria de Maria, cheia de graça, totalmente dócil ao Espírito Santo, inteiramente unida a Deus em amor?

 

A alegria em Maria

Por tudo o que foi dito, o título mais adequado a este livro seria “A Alegria de Maria”, assim, no singular. Naturalmente, Nossa Senhora teve incontáveis momentos de alegria. Entretanto, sua alegria suprema, permanente e inquebrantável, é uma só: Deus olhou para ela e a preservou do pecado ao elegê-la para Mãe de Seu Filho, Jesus Cristo. Esse fato único trouxe a Maria a experiência da alegria absoluta do próprio céu, cuja fonte inesgotável são a docilidade à ação do Espírito Santo e a consequente intimidade com Jesus Cristo.

Maria não “estava sempre alegre”. Maria “era alegre”. Ou melhor, Maria “é alegre”. Nela encontramos a alegria humana elevada ao grau de beleza, intensidade e suavidade da alegria celeste. “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo!”[3], saudou-a Gabriel revelando a fonte da alegria constante daquela adolescente singular: era toda graça, era “a mesma graça”[4] porque o Senhor “é” com ela.

Por vezes, estamos tão cegos, que buscamos a alegria no pecado, enquanto a alegria está exatamente no seu contrário, na graça de Deus, no viver em estado de graça. Para nos “alegrarmos sempre no Senhor”, é necessário estarmos com Ele e, pelo menos, desejarmos, com todas as forças, afastarmo-nos do pecado e detestá-lo, não nos deixando iludir por ele.

 

Em Maria, não há divisões, nem incoerências

Em Maria, concebida sem pecado original, missão e identidade são uma só coisa! Ser Mãe de Deus e dos homens e, como Mãe, ter relacionamento único com a Trindade Santíssima e a perfeita Vontade de Deus é, em Maria, o que ela é e o que é chamada a ser. Jamais tendo sido tocada pelo pecado, seu ser e seu viver são tão perfeitamente uma só coisa que sua alegria sempre foi fazer sua a vontade de Deus e ser plena, perfeita, simples e unicamente Mãe. De Deus, tua, minha e de todos os homens.

Poderíamos dizer, também, que essa alegria ontológica de Maria, essa sua profunda coerência interior, “dá espaço” à livre ação da graça de Deus nela e através dela. Sua alegria vem do Céu, tem sentido de Céu e ao Céu se destina. Alimenta-se do amor a Deus e à Sua vontade. Em todos os episódios que percorreremos neste livro, a alegria de Maria tem sempre uma só fonte e uma só finalidade: a vontade de Deus. Fora dessa vontade, para Maria, não há alegria.

O que vamos contemplar neste livro são momentos em que a alegria permanente e única de Maria foi suscitada também por momentos de indescritíveis alegrias humanas. Em todos os episódios, podemos meditar no quanto a alegria de Maria era mais profunda, mais verdadeira, mais intensa e mais celestial do que a de todos os outros que viviam o mesmo episódio, uma vez que ela contemplava a realização da vontade de Deus de maneira única.

A tradição franciscana indica sete alegrias de Maria. Neste livro, ousaremos ir além e falar de doze alegrias, todas advindas da obediência à vontade de Deus; todas destinadas ao mesmo fim: a salvação dos homens e a alegria da Trindade Santa.

 

COMO A AURORA

  Estamos há vários séculos do nascimento de Miryam[5]  de Nazaré. Seus pais, avós e bisavós sequer nasceram. Ela, porém, já é prometida como vitória de Deus. Desde que o Senhor anunciara sua criação, é ansiosamente desejada. Todas as hierarquias dos anjos do Céu aguardam, de prontidão, o sinal para sua concepção. Os primeiros homens anseiam pela vitória de Deus através dela. Reis e profetas perscrutam sinais a ver se havia chegado o tempo para sua criação. Os mortos, no Hades, suspiram por seu nascimento, sinal de que as portas dos infernos finalmente seriam abertas.

Salomão contempla, por antecedência, seus pés, rodopiando na dança de maanaim[6]. Ainda não é ela, mas certamente é dela essa dança. Também são dela as vestes de ouro de Ofir[7] que a faz vestir-se como a aurora, bela como a lua, fulgurante como o sol, terrível como exército em ordem de batalha[8].

Elias a contempla na nuvenzinha que, perdida no céu imenso, anuncia a abundância do favor de Deus. É sinal da Virgem Fecunda, esperada, desejada, almejada por gerações. Sim. Ela trará o Salvador e eis que está próxima.[9]

Judite degola o inimigo. O povo, grato, contempla a salvação que veio por suas mãos corajosas. Judite canta, cheia de júbilo, um cântico novo ao seu Deus, que é grande e glorioso, admirável em Sua força, invencível.[10] Também a invicta Judite é sinal da Virgem Toda Santa que, com firmeza de fé e coragem de amor receberá de Deus o poder de esmagar com seu pé a cabeça do Inimigo, vencendo-o para sempre[11].

Ester encanta o rei com sua beleza e salva seu povo que, cheio de alegria, constata o que Deus pode fazer em resposta à sua intercessão. Diante do rei da terra alcançou favor e graça mais que qualquer outra moça, graças ao poder da graça do Rei do Céu. E foi coroada rainha[12], apontando Maria escolhida pelo Rei, entre todas as mulheres como Rainha do Céu e da Terra.

Isaías proclama o sinal que Acaz nega-se a pedir: uma virgem conceberá. Ela, a Virgem das virgens, dará à luz um filho, que será chamado Deus Conosco[13]. Mais uma vez, séculos antes de seu nascimento, a Mãe de Deus é anunciada, esperada, almejada, desejada pelos que sofrem sob o jugo do pecado.

No ventre estéril de Ana, no segredo do amor que guarda uma fecundação, ocorre a intervenção absolutamente única, almejada por homens e anjos. Uma menina é concebida, sem pecado é concebida, para Deus é concebida, para os anjos é concebida, para os pecadores é concebida, toda Bela é concebida.

A Aurora que precede o Sol é, finalmente concebida, gestada, ansiada!

Com as dores, a parteira, aguardada há milênios, segura, prosaica, a menina pelos pezinhos que, há nove meses, pisaram a cabeça da serpente[14]. Num impulso, olha, sorrateira, para um lado e para o outro, certifica-se de que ninguém a observa e, em ímpeto de incontrolável veneração, os beija suavemente.

Estranha a própria atitude, a experiente parteira. Nunca havia feito isso antes. O que haveria nesses pezinhos minúsculos?

  

1ª Alegria

  CONCEPÇÃO IMACULADA

 

Levanta-te, minha amada,

Formosa minha, vem a mim![15]

 

A primeira alegria de Maria foi, sem dúvida, sua concepção sem pecado original. Tal privilégio único foi presenciado no segredo da Trindade que, em previsão aos méritos de Cristo, não permitiu que a herança maldita do pecado a tocasse.

É precioso e único o momento da fecundação do óvulo. É o momento em que o pai, a mãe e Deus se unem para gerar um novo ser. Momento do qual o Senhor, o Pai do Céu, participa, criando uma alma única para Sua mais nova criatura.

Como hoje a ciência comprova, o momento da concepção é crucial para a nova vida, que se alegra de forma insondável ao ver seu início cercado de amor, gratidão, fé, calor, esperança. Por outro lado, entristece-se sobremaneira ao ver sua concepção feita em meio ao egoísmo, ao ódio, à bebedeira, à vingança, ao pecado[16].

A concepção de Maria, como todas as concepções, foi imersa no amor eterno e infinito do Pai, do Filho e do Espírito. Diferente de todas as outras, porém, foi mergulhada na expectativa de fé e esperança de centenas de gerações sofridas sob o jugo do pecado. Depois de Jesus, o Emanuel, ninguém foi tão esperado quanto Maria, a Aurora da Salvação.

A única concepção imaculada da história da humanidade foi protegida pelo segredo que a fez semelhante a todas as outras. Na aparência, mais um casal se une no ato conjugal, mais um óvulo é fecundado, mais um embrião se aninhará, silencioso, no útero de sua mãe, mais uma alma criada por Deus unicamente para essa criança no momento mesmo da união entre espermatozoide e óvulo.

Diferente de todas, porém, essa bendita, feliz, bem-aventurada, santa criança ao ser concebida, recebe das mãos de Deus, a graça que a faz totalmente limpa, totalmente intocada pela herança do pecado das origens. É plena de graça, é a mesma graça, essa criança singular. Como traduzir a alegria intensa, invisível, o júbilo do Céu e da erra por esse momento único? Se é imensa a alegria no Céu e na Terra pela concepção de uma criança marcada pelo pecado, qual não terá sido o júbilo pela concepção sem pecado desta Menina?

E que alegria não terá experimentado a própria Menina? Certamente a “alegria da salvação” de que nos fala a Palavra[17], a alegria indescritível, insondável, de quem não foi, nem jamais será, tocada pelo pecado nem pelo mal! O júbilo de ter sido preservada graças à ação amorosa de Deus, a plenitude sem fim de ter sido concebida livre do jugo do pecado e da morte. O deleite indescritível de quem se vê unida à própria Trindade Santa, continuamente, eternamente, inseparavelmente. Quem poderia descrever a alegria da salvação que plenificou corpo e alma da Menina desde o primeiro segundo de sua existência?

A Trindade guarda o segredo dessa alegria. Só Ela e esse microscópico óvulo fecundado a conhecem. Só Ela e esta Menininha a partilham plenamente, assim na Terra como no Céu.

   


[1] Fl 4,4s.

 [2] Gl 5,22.

 [3] Cf. Lc 1,28.

 [4] Cf. Ofício da Imaculada Conceição. Edições Shalom, 2014. (“Sois a mesma graça, Virgem Singular”).

 [5] O nome Miryam, de origem hebraica, significa “pureza, virtude, virgindade, amor, amada, senhora, elevada, estrela”.

 [6] Dança nupcial citada em Ct. 7,1s: “Volta-te, volta-te. Sulamita, volta-te, volta-te... queremos te contemplar! Ah! Vós a contemplais, a Sulamita como uma dança de dois coros. Os teus pés... como são belos nas sandálias. ”

 [7] O ouro da localidade de Ofir era o melhor e mais precioso que havia no mundo conhecido. O Salmo 45(44),10s fala de uma dama, ou rainha, vestida de ouro de Ofir: “Nos palácios de marfim, o som das cordas te alegra. Entre as tuas amadas estão as filhas do rei; à tua direita uma dama, ornada com ouro de Ofir”.

 [8] Cf. Ct 6,10.

 [9] Cf. I Rs 18,42–46. Os Padres da Igreja viram, nessa nuvenzinha, a figura de Maria.

 [10] Cf. Jt 16,13.

 [11] Jesus é o grande vencedor do pecado e da morte que caíram sobre a humanidade com o pecado original. A concepção imaculada de Maria é antecipação da vitória de Cristo sobre o demônio. Maria, concebida sem o pecado original – Imaculada – atesta a Satanás a vitória do Filho em uma criatura toda pura, toda salva, toda graça desde sua concepção. A vitória de Cristo está, portanto, atestada na pessoa de Maria antes mesmo do nascimento do Filho de Deus. Satanás não suporta isso. E não suporta, tampouco, que uma criatura humana, inferior a ele, tenha o poder de vencê-lo por ação absoluta e única da graça de Deus.

 [12] Cf. Est 2, 17.

 [13] Cf. Is 7,14. “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele se chamará Emanuel.” (trad. Ed. Ave-Maria).

 [14] Como prometido em Gn 3,15 “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” Maria pisa a cabeça de Satanás ao ser concebida sem pecado original, em previsão da salvação trazida por Jesus Cristo.

 [15] Cf. Ct 2,10a.

 [16] A ciência da psicanálise atesta a importância crucial da concepção para o embrião, em momento que terá influência sobre toda a sua vida. “Deste modo, a qualidade do vínculo entre os parceiros, no momento da concepção e durante a gravidez, é fundamental para o equilíbrio da relação mãe-bebê, uma vez que o feto consegue captar os estados afetivos maternos tanto os de felicidade, tranquilidade e satisfação quanto os de choques emocionais, ansiedades, raiva, depressão e estresse.” Disponível em: http://guiadobebe.uol.com.br/a-vida-emocional-do-feto/.

 [17] Cf. Sl 51(50),14.

 

Autor Maria Emmir O. Nogueira
Escreva Seu Comentário
Sua avaliação