Livro Tecendo o Fio de Ouro

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Autor: Maria Emmir O. Nogueira e Silvia Maria Lima Lemos

Editora: Shalom 

Idioma: Português 

Páginas: 574 

Edição: 2013

Acabamento: Brochura

Livro faz parte da série de livros "Caminho Ordo Amoris" da Comunidade Católica Shalom.


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Dinâmico, com pausas para orações, espaços para o leitor escrever suas respostas à Deus, o Fio de Ouro é um livro para leitura e reflexão. Propõe um itinerário para o autoconhecimento e a cura interior, tocando em questões como a história familiar, necessidades e limites, identidade e afetividade, chegando à proposta do Projeto de Vida Pessoal como via para uma vida mais santa e madura, direcionada para o amor. É também indicado para realização de cursos.

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Trecho do livro

“O amor é como um laço de ouro que une os corações de

quem ama e de quem é amado”

Santo Afonso de Ligório

  

Ao Moysés, fundador da Comunidade Shalom, a quem Deus inspirou por primeiro que Seus segredos de amor para nós são revelados através da nossa história da salvação pessoal.


À Lidi, por sua presença constante, fiel e amiga, à Meyr e Tereza, por sua paciência em  questionar e revisar o original, à Teka, por seu empenho em tornar este caminho acessível aos leitores europeus. Deus lhes pague!

 

 PREFÁCIO

“Eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes?

Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer
correr arroios pela estepe.

Dar-me-ão glória os animais selvagens,
os chacais e as avestruzes,

 pois terei feito jorrar água no deserto,

e correr arroios na estepe, para saciar a
sede do meu povo, meu eleito;

o povo que formei para mim contará meus feitos.”

(Is 43,19-21)

Esta passagem abre um dos principais escritos da vocação Shalom. Intitulado Obra Nova e de cunho predominantemente ascético, fala-nos do esforço necessário, da imprescindível e, por vezes, dolorosa colaboração de nossa vontade com a graça de Deus para que Ele realize em plenitude o milagre da água que jorra no deserto, que alimenta a estepe, que sacia a nossa sede e a do povo que Deus forma para si.

Escrito há quase vinte anos, quando éramos ainda muito poucos e a Obra Shalom ainda muito incipiente, o profetismo do escrito aponta para um povo novo e eleito que a assuma com a própria vida. Depois de falar da obra nova com relação a todo um povo que assume uma nova vocação, sucedem-se os parágrafos que se referem a acolher a obra de Deus no próprio coração:

Tem que ser de dentro para fora, tem que ser no amor, tem que transbordar.

Esta acolhida não é passiva senão pela atitude de oração profunda, apontada como caminho a ser trilhado para que aconteça a vontade de Deus:

O plano de Deus só pode acontecer em nós, completar-se em nossas vidas, se estas estiverem enraizadas na oração profunda. Não haverá novo se não houver uma profunda vida de oração em cada um de nós.

A oração profunda aos moldes de Teresa de Jesus de Ávila, contemplativa e humildemente acolhedora da Vida de Deus em nós, é apontada como o caminho, o sustentáculo e o motor que nos dará as graças da coragem, renúncia e disposição para colaborarmos ativamente com a vontade do Construtor da Obra:

É necessário que cada pessoa que o Senhor coloque diante deste chamado tenha desejo, queira, se disponha, se coloque como um formando, como alguém que quer crescer, que se deixa formar, que deixa fazer brotar a semente e a árvore que existem dentro de nós para compor o novo jardim do Senhor.

A dor da busca e do conhecimento da verdade acerca de Deus e de si mesmo fica explícita como um chamado à coragem por amor a Deus:

É preciso ter consciência de que precisa ser podado em seus galhos velhos, ou até naqueles aparentemente verdes, mas que não dão frutos, para assim produzir os verdadeiros frutos. E isto não é fácil. É árduo e difícil!

A busca da verdade traz a dor do renascimento, dor semelhante a um novo parto, que faz morrer o que é velho e deixa o novo nascer pela acolhida, adesão e colaboração com a graça da libertação, a graça da salvação em Jesus Cristo. Em um só parágrafo, ascese (fazer morrer o que é velho) e mística (deixar nascer o novo) se sucedem e complementam, revelam verdade por vezes dolorosa e com ela alimentam a alma, sempre em vistas da santificação, da união com Deus, como sói acontecer na vida espiritual:

É necessário estarmos dispostos a fazer morrer o velho que existe em nós, e que com facilidade disfarçamos de novo, e até de nossa identidade (...) Precisamos, na verdade, com coragem e disposição, matar o velho que há em nós e deixar o novo florescer, deixar Jesus (...) nos libertar.

O velho, que devemos matar, é fruto do nosso pecado, da má educação, dos traumas, das feridas, que devem ser primeiramente reconhecidas para poderem ser vencidas:

É fundamental não nos enganarmos e reconhecermos o velho em nós (...) E assim, reconhecendo este velho, com o poder de Jesus, deixar o novo, a nossa verdadeira vocação, florescer, crescer e vencer em nós.

Devemos ter cuidado para não achar que o homem velho é a vontade de Deus para nós, e assim sermos levados a favorecer situações de sofrimento pessoal e comunitário ou familiar:

O velho em nós (...) não é, na verdade, aquilo que Deus quer para nós, mas sim fruto do pecado.

Esta libertação é principalmente fruto da graça de Deus acolhida na oração, mas também fruto de nossa colaboração e encarnação dessa graça no concreto da vida, do dia a dia, da vida fraterna, da vida familiar, da formação. Envolve, assim, todas as áreas da nossa vida: o trabalho, a família, os relacionamentos, a vestimenta, a comida, o portar-se, o falar, o silenciar, a alegria, o trato para com os outros, o estado de vida e seu discernimento, os relacionamentos, os bens, o apostolado, dentre outras.

O tema da concretitude da obra de Deus em todas as áreas de nossas vidas e da descoberta ou desmascaramento do velho para que Deus possa agir em nós estava presente na vocação já bem antes do escrito Obra Nova, quando todos fazíamos a história da salvação pessoal. Com o passar do tempo, esta história, feita, primeiramente, de forma livre, foi sendo orientada por diversos roteiros, adaptados, ao longo destes vinte anos, segundo nossa experiência comunitária e o conhecimento mais aprofundado da antropologia de Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e a antropologia e psicologia da vida consagrada, cujos maiores expoentes, entre eles Amedeo Cencini¹, foram consultores e colaboradores no sínodo que deu origem ao documento Vita Consecrata, de 1998.

O presente roteiro é escrito para todo batizado e traz, nesta edição revista e atualizada, enfoque especial para os consagrados. Entendemos que a riqueza que Deus nos deu através da sabedoria expressa no escrito Obra Nova não é só para a Comunidade Shalom, mas para todo homem e mulher que tem sede de Deus, sede da verdade sobre Deus e sobre si mesmo, sede de cura e conversão em todas as áreas da vida, sede de santidade.

Como não poderia deixar de ser, uma vez que o caminho que Deus nos mostrou foi a oração e uma vez que os Padres da Igreja têm papel fundamental em nossa vocação, o roteiro tem por leito a oração e o conceito Agostiniano de passado inconcluso, memoria amoris e ordo amoris e é iluminado pela visão do homem de nossa vocação. Conceitos modernos de psicologia humanista, especialmente da logoterapia, complementam nosso roteiro.

Nos nossos vinte anos de vida, oferecemos a você, irmão de comunidade, e a você, irmão filho da Mãe Igreja, este singelo presente, testemunho de que Deus, de fato, faz jorrar água no deserto, faz correr arroios na estepe para saciar a sede do povo que formou para si. Que, pelas mãos de Nossa Senhora, Rainha da Paz, Esposa do Espírito e Mãe da Igreja, ele possa ser uma ajuda para que o rio de sua vida corra: cálido, fecundo, livre e veloz, e deságue, feliz, no imenso mar do coração da Trindade, sua origem e seu fim.

ISBN 123456
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