Livro Escolhi a Santidade

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Autor: Ronaldo Pereira, prefácio e adaptação de Maria Emmir O. Nogueira

Editora: Shalom

Idioma: Português 

Edição: 2015

Acabamento: Brochura

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Escolhi a Santidade é uma coletânea contendo três pregações do nosso inesquecível Ronaldo Pereira (A espiritualidade do jovem cristão; Parresia: a ousadia na evangelização; A violência de coração), com prefácio e adaptação da autora Emmir Nogueira. Um livro destinado aos violentos de coração.

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Trecho do livro

ELEITOS SEGUNDO A VONTADE DE DEUS


Chama-se de “espiritualidade” o caminho da Igreja, de uma comunidade e de cada pessoa em sua jornada para Deus. É traçado pelo próprio Espírito Santo e proposto a cada um de nós como caminho único, singular, que caracterizará nosso relacionamento com Deus e nossa peregrinação para o céu.

Assim como os diversos movimentos, também a Renovação Carismática é uma proposta de caminho espiritual para o homem de hoje. No meio juvenil sob a influência dessa espiritualidade, observa-se que muitos têm forte e autêntica experiência com Deus, mas muito poucos perseveram na caminhada. Mais que isso: muito poucos crescem no conhecimento de Deus.

Infelizmente, essa é uma realidade que todos conhecemos ou observamos até nas pessoas que nos evangelizaram e hoje se distanciaram de Cristo. . Muitos que nos convidaram para fazer Seminário de Vida e foram instrumentos de Deus para nos atrair a Ele, hoje estão distantes.

Vemos, também, muitas ovelhas do nosso rebanho se apartando. Pessoas que testemunharam, tiveram experiências atestadamente fortes e verdadeiras, de repente, deixam tudo. Largam tudo!

Diria que isso acontece em grande parte devido à falta de abertura para a vontade de Deus em suas vidas. Porém, para que a acolham, é necessário que, além de adequada formação para que conheçam o plano de Deus para todos os homens, conheçam também o plano amoroso do Senhor para suas vidas.

Agora, vamos ver o que o Senhor pede de nós, o que nos propõe, qual o seu convite, para que isso NUNCA aconteça conosco; para que a falta de conhecimento nunca seja a razão para nos apartarmos do caminho da verdade e da vida.

Primeira Conversão

Os autores espirituais recomendam que, a cada vez que precisemos renovar nosso entusiasmo na caminhada e nossa vida espiritual, voltemos ao início de nossa história com Deus, ou seja, à própria graça do Batismo e ao momento de nossa conversão, a chamada Primeira Conversão ou experiência de Deus, o momento em que fomos alvos de deliberada e amorosa ação da graça.

Certo dia, Deus simplesmente te olhou e disse: “Olha, fulano, vê, fulana, hoje quero entrar na tua vida”. Depois, escolheu uma oportunidade, criou uma circunstância na qual se revelou a ti. Essa graça do primeiro encontro pessoal com Jesus Ressuscitado – também chamada de “batismo” ou “efusão” do Espírito Santo – nos dá experiência real, íntima e filial com o inefável amor de Deus e, ao mesmo tempo, ensina que somos objetos do Seu amor e capazes de amar a Ele, ao nosso irmão e a nós mesmos. 

É essa a experiência do nosso seminário de vida no Espírito Santo[1]. Não se trata de experiência em nível de sentimentos ou de intelecto. Trata-se de uma experiência de amor, união, intimidade, amizade e filiação. Afinal, é proporcionada pelo Amor da Trindade Santa! Seus frutos são alegria, paz, bondade, abertura a Deus e ao outro, amor à Igreja, aos sacramentos – em especial os da Eucaristia e Reconciliação – amor e entendimento da Palavra de Deus, novo e generoso engajamento na Igreja.

Nossa alma entra em uma nova experiência de paz. É pacificada pelo amor de Deus. Como que se aquieta e, ao mesmo tempo, corresponde à graça de Deus e se determina  a adentrar nessa nova intimidade, nesse novo amor. Aplica-se aqui o que diz Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e nossa alma está inquieta enquanto não repousar em Ti!

Após a experiência pessoal com o Ressuscitado[2], começamos a corresponder à graça da intimidade com Deus, ao contato contínuo com Seu Amor. A isso se chama primeira conversão. Correspondendo à graça que nos é dada, mudamos nosso comportamento. Muitas coisas que julgávamos precisar como condição para ser feliz ou para sobreviver; muitas dependências afetivas, químicas, intelectuais, começam a perder seu valor. Dá-se verdadeira e contínua mudança de valores.

Todos nos lembramos de pessoas que, por exemplo, fumavam e deixaram de fumar, pegavam baseado e deixaram de pegar, eram viciadas em redes sociais e passaram a utilizá-la com disciplina e sensatez, desprezavam os pais e passaram a honrá-los, eram dependentes de sexo e passaram a buscar a pureza[3].  Todos ouvimos – ou dissemos! – algo como: “Quer dizer que para ser cristão TEM que deixar tudo isso?!” Sabemos que não é assim. Simplesmente, essas coisas perdem o valor que antes tinham nas mais diversas áreas de nossa vida. Começamos a aderir, por graça, à nova escala de valores. Tal mudança – tal conversão – inclui desde a forma de vestir, a música que se ouve, a forma de nos divertir, as bebidas. Deparamo-nos com outra realidade, antes desconhecida. Começamos a enxergar a realidade com outros olhos, na graça de Deus. Os olhos de  discernimento e sabedoria do Espírito Santo e o resultado coerente são novos comportamentos em nossa vida concreta. Novas escolhas. É a conversão. A mudança de 180 graus em nossa vida. A Virada Radical[4].

A experiência pessoal com Jesus Vivo, Ressuscitado, experiência de amor, intimidade, filiação a Deus e unidade com os irmãos ensina-nos que, pela graça, somos capazes de corresponder ao Amor e à Felicidade de que tanto necessitamos e buscamos tão avidamente, por vezes, em caminhos tão equivocados. Sobre isso, diz Santo Agostinho: “Fora te procurei, foi dentro que te encontrei[5]. Feliz e pacificada, nossa alma começa a nos empurrar para Aquele por quem somos atraídos.

Depois de certo tempo, porém, Deus mesmo permite que se acirre a luta entre carne e espírito, na qual começamos a desejar as coisas de Deus, ao mesmo tempo em que nossa carne nos atrai para o que não é Dele e tenta de todas as formas nos desviar do caminho que Ele traçou para nós. É nesse ponto que o grupo de oração, a oração diária, a Palavra de Deus e o acompanhamento pelo pastor do grupo de oração são essenciais para nosso crescimento e seguimento de Jesus Cristo, fundamentais para que nossa experiência pessoal com o Ressuscitado dê frutos que permaneçam.


Conversão, eleição, missão

O caminho trilhado por São Paulo ajuda-nos a entender melhor o que seja conversão, eleição e missão. Sabemos que antes de sua conversão, o então conhecido Saulo de Tarso era acirrado perseguidor dos cristãos. Deus, porém, criou uma circunstância para sua experiência pessoal com Jesus ressuscitado justamente no caminho para Damasco, por onde iria empreender nova perseguição aos cristãos. A intervenção amorosa de Deus em sua vida veio quando o Senhor lhe apareceu e o derrubou do cavalo, deixando-o cego. Aquele homem que era perseguidor da Igreja tem sua experiência pessoal com o Amor daquele a quem perseguia! 

Como nós, Paulo necessitou da ajuda dos irmãos que o abrigaram e, especialmente, de Ananias, cristão enviado por Deus para orar por ele. De perseguidor da Igreja e judeu aferrado à sua fé, torna-se um seguidor de Jesus Ressuscitado que passou pela cruz[6], a quem, no fundo, sua alma ardorosa e sedenta de Deus buscava sem perceber.

Ao seguir Jesus, Saulo se torna Paulo. De perseguidor de Cristo, torna-se Seu seguidor e pregador, Sua testemunha. Torna-se apóstolo, o Apóstolo Paulo, que caminhou lado a lado com Pedro e os outros apóstolos nos primeiros tempos da Igreja. Paulo torna-se o Apóstolo dos Gentios – dos pagãos. Graças à sua pregação, os não-judeus aderiram à fé. Graças às suas cartas, foram formados na sã doutrina. Graças ao seu cuidado pastoral, ficaram firmes na fé.

Após o encontro com Jesus Vivo e consequente cegueira e inanição – passou três dias sem comer nem beber e sem enxergar, até o socorro de Deus através de Ananias. Durante esse período, pode orar e mergulhar na graça que lhe havia sido concedida e no mistério que envolvia sua vida. Tendo recebido a oração da Igreja, representada por Ananias, Saulo se torna Paulo, o homem novo. Sua vida foi inteiramente transformada pelo Amor.

Um homem novo. Um discípulo de Jesus. Um seguidor de Cristo. Uma nova vida baseada no Evangelho. Nova testemunha do amor de Deus. São esses os frutos da experiência com o Ressuscitado. Esses frutos de quem, sem nenhum merecimento, foi eleito por Deus, independentemente de sua vontade. Cada um de nós é eleito por Deus para ser novo homem, nova mulher, nova criatura.

Deus nos escolhe, toma a iniciativa e nos oferece seu Amor, sua vida[7]. Não é obra do acaso estarmos aqui. Ele nos chamou.  É o fator chamado eleição, vontade deliberada de Deus que chamou, escolheu e capacitou a responder o chamado para um novo relacionamento de amor. Assim como Deus escolheu Paulo, Francisco de Assis, Clara de Assis, Teresinha e milhares, milhões de outros. Da mesma forma, Deus nos escolheu e hoje estamos aqui. Deus te escolheu!

Entretanto, toda eleição de Deus implica uma missão. Paulo foi escolhido por Deus, acolheu a graça da efusão do Espírito, foi transformado pelo poder de Deus, em vista da missão de evangelizar os gentios. O que teria sido da Igreja se Paulo não tivesse acolhido a graça de Deus? O que seria de nós se Paulo não tivesse acolhido e cumprido sua missão de evangelizar os pagãos?

Toda eleição supõe uma missão. Fomos escolhidos para uma missão. Deus livremente, por amor, escolheu-nos para seguir Jesus e nos elegeu para uma missão. Ele confia em nós. Espera de nós. Conta conosco. Quando entendermos seu chamado, tornar-se-á mais difícil nos deixarmos levar pela carne, pelas tentações e atrações do mundo. Mesmo nosso serviço ao Reino adquire novo colorido, novo sentido. Vencemos a tentação da azáfama ou da tibieza, isto é, do excesso de trabalho e da preguiça espiritual, o “fazer por fazer”, sem sentido, sem ardor, sem parresia.  

Deus nos elege para formar um povo santo com as próprias mãos, pelo poder e pela ação do Seu Santo Espírito. Vemos isso em inúmeras passagens bíblicas, entre elas Deuteronômio 26, 16-19:

Hoje, o Senhor teu Deus te ordena cumprir esses estatutos e normas. Cuidarás de pô-las em prática com todo o teu coração e com toda a tua alma.

Hoje, fizeste o Senhor declarar que Ele seria teu Deus e que tu andarias em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos, suas normas, obedecendo à sua voz. E hoje o Senhor te fez declarar que tu serias o seu povo próprio, conforme te falou, e que observarias todos os seus mandamentos, que ele te faria superior em honra, fama e glória a todas as nações que ele fez, e tu serias um povo consagrado ao Senhor teu Deus, conforme te falou.

O Senhor nos atraiu a si, deu-nos a incomparável graça da experiência pessoal com Cristo, o Ressuscitado e nos propõe a cada dia o novo mandamento do amor, a marca dos seus discípulos, da Igreja, do povo eleito por ele e lavado pelo sangue de Cristo[8]:

Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena. Este é meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos se praticais o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu senhor faz; mas vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça.” (Jo 15, 11-16 a).

Conhecemos essa plena alegria? Sabemos que somos eleitos por Deus? Sentimo-nos assim? Temos consciência do Seu chamado amoroso e pessoal? Estamos prontos para cumprir com alegre e generosa obediência de fé a missão que o Senhor nos confiou? Levamos a sério nossa vida espiritual? Praticamos, com zelo e atenção, o que nosso Senhor e Mestre nos pede? Cuidamos com zelo do que Ele nos deu a conhecer? Colocamos Jesus na lista dos nossos melhores amigos? Conhecemos o sentido de nossa eleição, o sentido do chamado, da experiência que mudou nossas vidas?


[1] NA Encontros de oração, pregação e partilha fraterna com o objetivo de levar os seus participantes a vivenciarem o Encontro Pessoal com Jesus Cristo pelo anúncio do querigma, experiência da efusão do Espírito Santo e vivência fraterna. 
[2] NA A partir de João Paulo II os Papas têm-se referido com frequência a essa experiência pessoal com Jesus Ressuscitado e seu amor como indispensável para uma conversão autêntica. 
[3] NA Inserção do termo “redes sociais” e algumas expressões a fim de atualizar o trecho. 
[4] NA “A mudança de 180 graus em nossa vida. A Virada Radical.” – acrescentado para remeter às realidades atuais dos encontros do Projeto Juventude para Jesus chamado de “Virada Radical” e à proposta do Missionário Shalom em seu CD “180 Graus”, Edições Shalom 2013. 
[5] NA Citação segundo a adaptação da música de Missionário Shalom interpretada por Gustavo Osterno no CD “180 graus”, Edições Shalom, 2013. O texto original diz: “Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu, lá fora, a procurar-Vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo e eu não estava Convosco! Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Porém, chamastes-me, com uma voz tão forte, que rompestes a minha Surdez! Brilhastes, cintilastes, e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes Perfume: respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós. Saboreei-Vos e, agora, tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e ardi, no desejo da Vossa Paz”. Santo Agostinho. 
[6] NA A expressão “Ressuscitado que passou pela cruz” foi cunhada e utilizada nos Estatutos da Comunidade Católica Shalom nos estatutos de 1998. Três anos, portanto, após a páscoa do Ronaldo. 
[7] NA São Pedro nos diz: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a sua parte da aspersão do seu sangue. A graça e a paz vos sejam dadas em abundância”, o que significa que o Senhor, que a tudo e a todos conhece, para quem tudo é presente e cujos planos são sempre de amor nos chama, isso é, nos elege, escolhe para uma missão. De sua parte, continuará a nos chamar ainda que, livremente, rejeitemos sua eleição, pois seus planos para nós são irrevogáveis (cf. 1 Pe 1, 2.) e sua vontade imutável e eterna. Não nos deixa de amar se rejeitamos seu chamado e sua misericórdia é fiel sempre e para sempre. Sua eleição e chamado, entretanto, são a garantia de nossa felicidade e a de toda a humanidade, o sentido de nossas vidas. 
[8] NA para correção de texto corrompido. 


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